Clínica da Escola · Supervisão
A clínica levada à elaboração
A supervisão é o dispositivo pelo qual quem pratica a psicanálise leva sua clínica à elaboração com um analista mais experiente. Não é fiscalização nem aula: é um tempo em que a prática de cada um é tomada como questão, sustentando a clínica como algo sempre aberto à transmissão.
O que é a supervisão
Na tradição lacaniana, a supervisão — por vezes nomeada controle — é o momento em que o praticante apresenta a um colega mais experiente o que se passa em sua clínica. Não para ser corrigido como quem erra um procedimento, mas para que algo do caso possa ser ouvido de outro lugar. O que está em jogo não é a técnica aplicada, e sim a posição do analista diante daquilo que escuta.
A supervisão supõe, assim, dois tempos da escuta: o do analista com seu analisante e o do analista com seu supervisor. Nesse segundo tempo, o que escapou, o que insistiu, o que produziu impasse pode ser retomado e elaborado. A clínica deixa de ser assunto privado e passa a circular — condição para que a transmissão da psicanálise permaneça viva.
Não se supervisiona um caso para saber a resposta certa, mas para que o analista possa sustentar a pergunta que sua clínica lhe dirige.
A supervisão na Escola
A Escola sustenta a supervisão como parte de sua relação com a clínica e com a formação permanente de seus membros. Praticantes em formação inicial e analistas em percurso encontram, entre os membros mais experientes da Escola, a possibilidade de levar sua clínica ao controle, segundo o que cada percurso pede.
Trata-se de um dispositivo singular, e não de um programa fechado: o que se supervisiona, com quem e em que ritmo se ajusta caso a caso, no respeito ao tempo de cada um. A supervisão articula-se com os demais dispositivos da Escola — os cartéis, a Clínica da Escola e a experiência do Passe — como mais uma via pela qual a clínica se faz questão de Escola.
