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Final de análise

Clínica da Escola · Final de análise

O que se passa no fim de uma análise

O fim de análise não é o desaparecimento do sintoma nem a chegada a uma suposta normalidade. É um conceito que Lacan elaborou ao longo de seu ensino e que toca o ponto mais delicado da experiência: o que muda na posição do sujeito quando uma análise chega ao seu termo, e como a Escola dá testemunho disso.

Um conceito, não um desfecho

Na orientação lacaniana, o fim de análise não coincide com a cura no sentido médico. Lacan o pensou como uma travessia: a do fantasma que organiza a relação do sujeito com o desejo do Outro. Atravessar o fantasma é deixar de esperar do Outro a garantia de um sentido último, e é nesse ponto que se fala em destituição subjetiva — a queda das identificações que sustentavam o sujeito suposto saber.

O que pode advir desse percurso é algo que Lacan nomeou desejo do analista: não um desejo qualquer, mas uma posição que permite a alguém, eventualmente, ocupar a função de analista. O fim de uma análise pode, assim, abrir para a passagem de analisante a analista — sem que isso seja uma regra nem um destino obrigatório de toda análise.

O fim da análise comporta a queda do sujeito suposto saber e o surgimento, em seu lugar, daquilo que vem responder pela função do desejo do analista.
— a partir de Jacques Lacan, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise

O fim de análise e o Passe

É no enquadramento institucional do Passe que a Escola se relaciona com a questão do fim de análise. O Passe é o procedimento proposto por Lacan para que alguém, ao final de sua análise, possa testemunhar sobre essa passagem. O testemunho é colhido por passadores e levado a um cartel do Passe, que decide pela nomeação ou não como Analista da Escola.

Assim, o fim de análise não fica restrito ao silêncio de cada consultório: torna-se questão de Escola, oferecida à elaboração coletiva e à transmissão. O dispositivo do Passe e suas instâncias de garantia são tratados em detalhe na página de Garantia.